Odilon Rios
Na cidade onde nasceu
o proclamador da República, o marechal Deodoro da Fonseca, a população pouco
conhece ou nunca ouviu falar do primeiro presidente do Brasil, que assumiu o
cargo após a derrubada do Império há exatos 120 anos, em 15 de novembro de
1889.
O município de Marechal
Deodoro fica a 25 km de Maceió, às margens da Lagoa Mundaú, e tem uma das
praias mais visitadas e belas do Brasil, o Francês. No lugar, navios da Segunda
Guerra Mundial foram afundados pelas tropas alemãs, piratas franceses tentaram
invadir o Brasil pelo mar durante o período colonial e igrejas em restauração
guardam mistérios: túmulos de famílias influentes de Alagoas foram descobertos
durante as escavações.
"Tem a ver com o
Lula? Por que me disseram que ele não vem para cá. Sei não por que tanta
festa", disse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a
festa. Não foi, mas mandou representantes do governo federal para anunciar
obras no município.
O funcionário público João
Jacinto da Silva ouviu falar pouco do filho ilustre de Marechal ou da
Proclamação da República. "Não sei bem quem ele foi. Sei que vai ter um
show do Zezé di Camargo e Luciano no domingo. Por isso tem a festa, não
é?", pergunta.
Armando o palco que vai
receber as autoridades para o desfile militar deste domingo, Ivanildo Santos da
Silva sabe da Proclamação. "Ouvi falar do Marechal Deodoro, mas, o que é
mesmo esse período da História brasileira?", questiona. "Sei lá, tem
a ver com um representante aqui da cidade", responde a sua propria
indagação. E a festa? "Dizem que é porque vão anunciar um monte de coisas
no Francês".
De acordo com dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marechal Deodoro, o
município, tem 45.141 habitantes. Cerca de 65% da população é pobre; 6.292
habitantes são analfabetos e apenas 99 pessoas recebem acima de 20 salários
mínimos. Por causa do alto índice de assassinatos, duas favelas receberam nomes
de países em conflito: Iraque e Israel. O "Iraque" de Marechal
Deodoro chama-se hoje Conjunto Esperança.
Na última semana, a
movimentação nas escolas era considerada acima do normal. Os alunos
preparavam-se para o desfile militar, as bandas de fanfarra conferiam as partituras
e treinavam as músicas para o dia festivo. "Há 170 anos Marechal Deodoro
deixou de ser a capital de Alagoas e, por três dias, depois de um decreto
legislativo, o governador transferiu para a cidade do proclamador a chefia do
Executivo Estadual em comemoração a este dia", lembra o secretário do
Gabinete Civil, Álvaro Machado.
A comemoração dos 120 anos
da República começou na sexta-feira e trouxe autoridades a Marechal Deodoro.
Etre elas, o governador Teotonio Vilela Filho. Há poucos metros da prefeitura,
lotada de políticos, a vida na cidade continuava quase normal. Uma rotina só
quebrada pela quantidade de policiais circulando pelas ruas.
O reforço de PMs, a pedido
do prefeito Cristiano Matheus (PMDB), existiu por causa de boatos sobre
protestos contra sua administração. Foram apreendidos panfletos que chamavam o
mandatário municipal de "mentiroso". "Estamos no 11° mês de
administração e estamos superando desafios", disse. Em Marechal, prefeitos
e vereadores já foram afastados dos cargos, acusados de corrupção e lavagem de
dinheiro.
Deodoro da Fonseca
Marechal Deodoro da Fonseca nasceu em 5 de agosto de 1827 em Alagoas. Entrou na
política em 1885. Era um dos homens mais próximos ao imperador Dom Pedro II. Em
15 de novembro de 1889, proclamou a República. Iniciou a República das Espadas,
porque dois marechais ocuparam a presidência: Deodoro e, logo depois, o também
alagoano Floriano Peixoto, isso antes de dar início a República Velha, com
presidentes civis.

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