Não sabemos se o nascimento do Brasil se deu por acaso, mas
não há dúvida de que foi cercado de grande pompa. A primeira nau de regresso da
viagem de Vasco da Gama chegou a Portugal, produzindo grande entusiasmo, em
julho de 1499.
Meses depois, a 9 de março de 1500, partia do
Rio Tejo em Lisboa uma frota de treze navios, a mais aparatosa que até então tinha
deixado o reino, aparentemente com destino às índias, sob o comando de um
fidalgo de pouco mais de trinta anos, Pedro Álvares Cabral. A frota, após
passar as Ilhas de Cabo Verde, tomou rumo oeste, afastando-se da costa africana
até avistar o que seria terra brasileira a 21de abril. Nessa data, houve apenas
uma breve descida à terra e só no dia seguinte a frota ancoraria no litoral da
Bahia, em Porto Seguro.
Desde
o século XIX, discute-se se a chegada dos portugueses ao Brasil foi obra do
acaso, sendo produzida pelas correntes marítimas, ou se já havia conhecimento
anterior do Novo
Mundo e Cabral estava incumbido de uma espécie de missão secreta que o levasse
a tomar o rumo do ocidente. Tudo indica que a expedição de Cabral se destinava
efetivamente às índias.
Isso não elimina a probabilidade de navegantes europeus, sobretudo portugueses,
terem frequentado a costa do Brasil antes de 1500. De qualquer forma, trata-se
de uma controvérsia que hoje interessa pouco, pertencendo mais ao campo da
curiosidade histórica do que à compreensão dos processos históricos.
Chegou a hora de dizer que essas expressões se
prestam a engano, pois podem dar ideia de que não havia presença humana
anterior à chegada dos portugueses ao Novo Mundo. Estamos nos referindo obviamente
à existência da população indígena.
Boris Fausto

