domingo, 11 de outubro de 2015

CHEGADA AO BRASIL



         Não sabemos se o nascimento do Brasil se deu por acaso, mas não há dúvida de que foi cercado de grande pompa. A primeira nau de regresso da viagem de Vasco da Gama chegou a Portugal, produzindo grande entusiasmo, em julho de 1499.
 Meses depois, a 9 de março de 1500, partia do Rio Tejo em Lisboa uma frota de treze navios, a mais aparatosa que até então tinha deixado o reino, aparentemente com destino às índias, sob o comando de um fidalgo de pouco mais de trinta anos, Pedro Álvares Cabral. A frota, após passar as Ilhas de Cabo Verde, tomou rumo oeste, afastando-se da costa africana até avistar o que seria terra brasileira a 21de abril. Nessa data, houve apenas uma breve descida à terra e só no dia seguinte a frota ancoraria no litoral da Bahia, em Porto Seguro.


         Desde o século XIX, discute-se se a chegada dos portugueses ao Brasil foi obra do acaso, sendo produzida pelas correntes marítimas, ou se já havia conhecimento anterior do Novo
Mundo e Cabral estava incumbido de uma espécie de missão secreta que o levasse a tomar o rumo do ocidente. Tudo indica que a expedição de Cabral se destinava efetivamente às índias.

Isso não elimina a probabilidade de navegantes europeus, sobretudo portugueses, terem frequentado a costa do Brasil antes de 1500. De qualquer forma, trata-se de uma controvérsia que hoje interessa pouco, pertencendo mais ao campo da curiosidade histórica do que à compreensão dos processos históricos.

          Chegou a hora de dizer que essas expressões se prestam a engano, pois podem dar ideia de que não havia presença humana anterior à chegada dos portugueses ao Novo Mundo. Estamos nos referindo obviamente à existência da população indígena.


Boris Fausto

domingo, 21 de junho de 2015

OS CHARRUA/MINUANO

Os charruas eram hábeis cavaleiros.


No Rio Grande do Sul, Charrua/Minuano ocupavam áreas de campos do sudoeste, até aproximadamente a altura dos rios Ibicuí e Camaquã, mas também se estendiam para o pampa uruguaio e as pequenas porções do território argentino.
Cada uma delas, entretanto, ocupava áreas bem-definidas. Os Charrua “moravam mais para o oeste, ocupando ambas as margens do Rio Uruguai e tiveram maior contato com o colonizador espanhol”, enquanto que os Minuano “se loca­lizavam mais para leste, nas áreas irrigadas pelas lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira, com extensão até as proximidades de Montevidéu; tiveram maior contato com os portugueses” (BECKER, 1991, p. 145).
Os Charrua/Minuano praticavam a caça, a pesca e a cole­ta. Alguns arqueólogos cogitam a possibilidade da cultural ma­téria produzida pelos antepassados destes indígenas pertencer à Tradição Arqueológica Vieira, construtora dos “cerritos”. Per­tenciam a um mesmo tronco linguístico, mas não está claro se falavam a mesma língua ou dialetos diferentes.

Os minuanos.


Nas primeiras décadas do século XVI, as expedições sobre os territórios Charrua/Minuano foram esporádicas. Entretanto, a partir de meados deste mesmo século e primei­ras décadas do século XVII, os interesses das Coroas Ibéricas crescem na região e alianças com lideranças Charrua, como Zapicán, Miní, Guaytán, e lideranças Minuanas, como Cloyan e Lumillan, passam a ser efetivadas. Possivelmente pela lógica nativa, essas alianças possibilitaram vantagens das parcialida­des lideradas por estes caciques para lutarem contra os grupos indígenas inimigos que também ocupavam o território.
No que se refere à utilização da aliança e à guerra nas sociedades nativas, Pierre Clastres, no trabalho Investigaciones em antropología política, enfatiza:

Ya hemos indicado que, por la voluntad de indepen­dencia política y el dominio exclusivo de su territorio manifestado por cada comunidad, la posibilidad de la guerra está inmediatamente inscrito en el funciona­miento de estas sociedades: la sociedad primitiva es el lugar del estado de guerra permanente. Vemos aho­ra que la búsqueda de alianzas depende de la guerra efectiva, que hay una prioridad sociológica de la guer­ra sobre la alianza. Aquí se anuda la verdadera relaci­ón entre el intercambio y la guerra. (...) Precisamente a los grupos implicados en las redes de alianza, los so­cios del intercambio son los aliados, la esfera del inter­cambio recubre exactamente la de la alianza. Esto no significa, claro está, que de no haber alianza no habría intercambio: éste se encontraría circunscrito al espa­cio de la comunidad en el seno de la cual no deja de operar nunca, sería estrictamente intra-comunitario. (CLASTRES, 1987, p.207, grifos do autor)

Segundo Reichel e Gutfreind (1996), na porção Oeste, começa a fundação das primeiras cidades espanholas (1527- 1577); na parte Leste, as portuguesas (1680-1737), as quais foram acompanhadas de grandes batalhas, em que uma boa parte dos Charrua/Minuano foram atingidos. Isso, gradativa­mente, haveria de produzir uma mudança fundamental em todo o território indígena, pois essas populações neste primei­ro momento não se submeteram à “encomienda”,2 à “mita”3 e às “reduções/missões”,4 sendo que esta última fora utilizada principalmente com os indígenas Guarani.



Nos séculos XVII e XVIII, as frentes expansionistas nos tradicionais territórios Charrua e Minuano continuavam de forma lenta e cada vez mais efetiva. No final do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX, os tradicionais territórios Charrua/Minuano da bacia hidrográfica do Rio da Prata são efe­tivamente ocupados pelos colonizadores português e espanhol.
As cidades multiplicaram-se e a exploração econômica, produzindo carne e couro para o mercado interno e europeu, aumentou significativamente.
Neste contexto, é possível apontar o protagonismo Char­rua/Minuano a partir das lógicas nativas, como é o exemplo da atuação de lideranças Naigualvé, Gleubilbé e Doimalnaejé, lu­tando ao lado de Don Francisco de Vera Mujica em territórios próximos a Santa Fé contra indígenas inimigos (BECKER, 1991). Por outro lado, quando os interesses nativos não mais estavam sendo atendidos, rompiam as alianças e recorriam à guerra, con­forme ilustra a situação envolvendo o cacique Campusano.
Este cacique Charrua entrerriano, pasado el pri­mer Tércio del siglo XVIII tênia sus tolderías em lãs márgenes del arroyo Feliciciano. Presume A. y Lara que es el mismo Campusano que, a fines de abril de 1749, com um grupo de índios hurtó caballadas de lãs estâncias del Pueblo Reducción de Santo Do­mingo Soriano. Habiendo salido en su persecución el Teniente de Dragones Francisco Bruno de Zava­la con un escuadrón en un potrero del Queguay. (BARRIOS PINTOS, 1981, p.87-88)

Gradativamente, as populações indígenas são empurra­das para o interior, local onde suas possibilidades de sobrevi­vência são cada vez mais difíceis, principalmente pela dispu­ta com grupos inimigos, como Araucanos, Tehuelches, entre outros, que também estavam em movimentação pelo territó­rio, devido às frentes expansionistas (SARASOLA, 1996). Em decorrência de não terem desenvolvido sua sustentabilidade nos moldes do capitalismo, bem como insistiam em continuar com seus padrões culturais um capítulo da história Charrua/ Minuano no século XIX, resume-se pelos dois combates feitos à traição – o de Salsipuedes (1831) e o de Mataojos (1832) – nos quais os indígenas destas duas etnias foram extermina­dos em grande maioria ou retirados de seu tradicional terri­tório, como, por exemplo, Vaimaca-Peru, Senaqué, Tacuabé e Guyunusa, que foram levados pelo comerciante François de Curel para Paris, lugar de onde não mais retornaram (HIL­BERT, 2009). A partir desses dois conflitos, equivocadamente propagou-se um discurso que os poucos Charrua/Minuano sobreviventes teriam forçadamente se integrado na sociedade da Banda Oriental do Uruguai.

sábado, 16 de maio de 2015

Roma antiga: saiba como Júlio Cesar foi assassinado #história


#história

Em 15 de março de 44 a.C. o chefe militar e ditador romano Júlio César é assassinado por 60 membros do Senado, segundo os quais ele governava de forma autocrática e autoritária. É o fim da República e começo do Império.
Veni vidi vici – vim, vi e venci – é uma de suas frases célebres. E, de fato, ele venceu em todas as frentes de batalha. Ao ser destituído do cargo de governador das Gálias, o Senado Romano esperava que Júlio César depusesse as armas e voltasse como homem comum para Roma.
Mas César sabia que, se isso acontecesse, seria levado ao tribunal. Por isso, decidiu invadir a província da Itália e, ao atravessar o Rubicão (riacho que delimitava a fronteira da parte central do território romano), teria pronunciado a também famosa frase Alea jacta est ("A sorte está lançada"). Após alguns anos de guerra civil, ele era o imperador absoluto de Roma.

Contra a República


Caio Júlio César (100 a.C.-44 a.C.), um dos maiores chefes militares de toda a História, nasceu em família aristocrática e alavancou suas ambições políticas com brilhantes campanhas militares contra os povos que habitavam as Gálias (atuais França e Bélgica). Participou do primeiro triunvirato em 60 a.C., ao lado de Pompeu e Crasso. Com a morte de Crasso, passou a disputar o poder com Pompeu, que era apoiado pelo Senado.



César viveu no auge do período das conquistas romanas. De 200 a.C. até o 476 d.C., Roma atravessou quase sete séculos de contínua expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do que o de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.). Após haver conquistado Roma e a península itálica, Júlio César invadiu o Egito, intervindo na disputa dinástica a favor de Cleópatra. Em 47 a.C., chegou à Ásia, onde obteve rápida vitória sobre o rei da província bizantina de Ponto.
De volta a Roma, tornou-se cônsul vitalício e, em fevereiro de 44 a.C., assumiu o título de "ditador perpétuo". Por medo ou bajulação, o Senado passou a cobri-lo de honrarias. Com excesso de poder acumulado em suas mãos, acabou criando inimizades, e desprezava toda e qualquer crítica ou advertência. A República não lhe interessava, por estar convencido de que, com instituições democráticas, era impossível governar um império mundial. Sob seu reinado, a República foi sistematicamente transformada num sistema ditatorial.

"Até tu, Brutus"


Júlio César governava sentado em trono de ouro. Os senadores eram obrigados a aprovar projetos de lei que não haviam lido. Ele aumentou em mais de 300 o número de membros do Senado, nomeando amigos para os novos postos. Em termos militares, tinha ainda grandes planos. Queria conquistar o reino dos Partos (região entre o mar de Aral e o mar Cáspio), para formar uma nova monarquia mundial.
Porém, poucos dias antes de iniciar a nova campanha militar, sucumbiu a um ataque dos conspiradores. No dia 15 de março de 44 a.C., foi assassinado com 23 facadas, nas escadarias do Senado, por um grupo de 60 senadores, liderados por Marcus Julius Brutus, seu filho adotivo, e Caio Cássio. Júlio César ainda se defendeu, cobrindo-se com uma toga, até ver Brutus, quando então teria dito sua última famosa frase: "Até tu, Brutus".

Trata-se do mais conhecido atentado político da Antiguidade, descrito por Caio Suetônio Tranquilo (70 d.C.-140 d.C.), na biografia De vita Caesarum (Da vida dos Césares). "César" foi o título dos imperadores romanos de Augusto (63 a.C.-14 d.C.) a Adriano (76 d.C.-138 d.C.).


Caio Júlio César foi morto por haver desprezado a opinião dos seus adversários. Supõe-se que seus assassinos não tinham apenas motivos políticos, como também agiram por inveja e orgulho ferido. Matar um tirano, na época, não era considerado crime. Não há, porém, consenso entre os historiadores de que Júlio César tenha sido um tirano. Muitos de seus planos não foram concretizados, mas ele deu uma orientação completamente nova ao desenvolvimento do Império Romano.

domingo, 10 de maio de 2015

RIO GRANDE DO SUL: APONTAMENTOS SOBRE O POVOAMENTO INICIAL #história

#história
Antes mesmo de chegarem a América, portugueses e espanhóis definiram sua divisão, estabelecendo o limite territorial de cada país no Novo Continente através do Tratado de Tordesilhas (mapa 1), em 1494. O território que atualmente constitui o Rio Grande do Sul historicamente pertenceu aos espanhóis, uma vez que essa partilha estabelecia que: as terras conquistadas que se localizavam ao leste de Tordesilhas pertenceriam a Portugal e as que estavam a oeste pertenceriam à Espanha, ou seja, “pelo Tratado de Tordesilhas, os domínios portugueses na América do Sul iam até Laguna (no atual Estado de Santa Catarina) e daí para o sul o território seria espanhol” (LESSA; CÔRTES, 1975, p. 31).
Na prática o Tratado de Tordesilhas nunca foi respeitado, pois no período colonial, o Rio Grande do Sul foi uma zona de litígio entre as coroas portuguesa e espanhola. Após a colonização inicial do Estado e violentas lutas pela posse do território, ele passa ao domínio português e o Tratado de Tordesilhas deixa de vigorar. Segundo Viera (1985, p. 31), “a ocupação do espaço rio-grandense teve dois momentos importantes (...). Inicialmente, deu-se a penetração dos preadores de índios e dos jesuítas, ambas contemporâneas, adquirindo grande dimensionamento. Bem mais tarde, 150 anos após, a efetiva posse da terra e as primeiras medidas de organização espacial se seguiram a fundação do núcleo do Rio Grande em 1737”. Neste período, ainda não existiam fronteiras políticas no Estado. 



Os primeiros jesuítas que chegaram eram portugueses, vindos do litoral Norte, mas não estabeleceram núcleos de povoamentos estáveis e buscaram apenas a doutrinação de tribos litorâneas. Já os tropeiros e os jesuítas espanhóis desempenharam um papel mais significativo na constituição do espaço gaúcho. Os primeiros criaram entrepostos e/ou pousadas o que originaram muitas cidades e os segundos criaram as reduções que iniciaram o povoamento do Estado instituindo núcleos estáveis. Por isso, esses foram os responsáveis pelo povoamento inicial do RS. As fronteiras, neste período, permaneciam indefinidas e as lutas pela posse do território eram constantes, pois havia grande interesse na região pela proximidade com a Bacia Platina, ponto estratégico para o acesso ao continente e para o transporte de riquezas. Contudo, “as lutas espanholas pelas terras rio-grandenses eram tão perdidas como as lutas portuguesas para sustentar a Colônia do Sacramento. Os tratados de Madrid e de Santo Idelfonso e os ajustes que se seguiram apenas confirmaram as tendências ditadas pelo processo de povoamento do Rio Grande do Sul e do Uruguai” (VIERA, 1985, p. 33), isto é, o domínio português sobre o território gaúcho e o surgimento de um ponto de equilíbrio entre Brasil e Argentina, os Campos Neutrais (atual Uruguai). Assim, os vários tratados (mapa 2) entre portugueses e espanhóis, como o Tratado de Madrid (1750) e Tratado de Santo Ildefonso (1777), pretendiam fixar as fronteiras e a posse dos territórios do Uruguai e do Rio Grande do Sul, ocasionando inúmeras guerras no território do Rio Grande do Sul durante o século XIX. Então, se seguiram várias configurações para o território. Em momentos alternados ele se reduzia ou se ampliava significativamente.




Neste contexto, o Rio Grande do Sul apenas configura suas fronteiras atuais após a independência do Uruguai (entre 1810 e 1828), pois o Brasil e a Argentina (Províncias Unidas do Prata) tentaram muitas vezes apoderar-se do novo país. A resistência se deu pela atuação dos Caudilhos. Esses “Caudilhos das várias Províncias do Prata, do Uruguai e do Rio Grande do Sul possuíam suas alianças particulares (militares ou não) que eram estabelecidas e desfeitas ao sabor das necessidades econômicas e de suas lutas pelo poder” (TARGA, 1991, p. 313). Assim, os limites do Estado se constituíram ao longo do século XIX, promovendo experiências sociais, políticas e econômicas distintas; “o Rio Grande do Sul foi à parte do território brasileiro mais afetado pelos problemas criados pela fronteira, pela vizinhança de projetos políticos e sociais que eram opostos à sua constituição e pelas guerras engendradas pelo processo de formação desses Estados. Por fim, até o final da guerra dos Farrapos (em 1845), não era clara a opção da classe dominante do Rio Grande do Sul pela integração ao Brasil” (TARGA, 1991, p. 316). Vieira (1985) destaca que as fronteiras gaúchas são incontestáveis e definem-se por si só, pois são delimitadas pelo Rio Uruguai e pelo Oceano Atlântico. Assim, após os inúmeros conflitos pela posse da terra sua delimitação cartográfica e a definição de seus limites se tornaram mais simples e eliminou aquela incerteza até então observada.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

REVOLUÇÃO RUSSA E A GUERRA CIVIL #história


#história
Guerra Civil
Logo após a assinatura do tratado de paz, iniciou-se na Rússia uma Guerra Civil, que durou de 1918 a 1921. As forças ligadas ao antigo regime czarista reuniram-se no Exército Branco. Conseguiram ainda apoio de potências capitalistas ocidentais para tentar derrubar o nascente poder soviético.
A organização soviética na Guerra Civil criou as bases da centralização estatal da economia e do controle da vida social. A constituição do Comunismo de Guerra procurava administrar o novo Estado. Tendo por base a militarização da economia, direcionando-a para os esforços da Guerra Civil, o Comunismo de Guerra impôs a disciplina militar nas indústrias e também passou a confiscar as colheitas dos camponeses.
Na Ucrânia, que havia se tornado independente, camponeses e operários organizaram-se em torno da guerrilha liderada por Nestor Makhno. A makhnovtchina foi uma importante organização na luta contra o Exército Branco e também na organização da produção, principalmente agrícola, na Ucrânia.
A ação da makhnovtchina e do Exército Vermelho conseguiu conter a invasão do Exército Branco. Porém, ao fim da Guerra Civil, a Rússia estava arrasada pela fome e pela destruição causada pela guerra. Porém, a militarização promovida pelos bolcheviques se manteve, principalmente no papel centralizador do Estado.
As forças de Makhno foram destruídas logo após a guerra civil. Uma rebelião contra o novo Estado, realizada na fortaleza de Kronstadt, foi massacrada pelos bolcheviques. Os marinheiros dessa fortaleza, que eram a principal força revolucionária da Rússia, pediam a eleição de sovietes livres, buscando assim diminuir o poder bolchevique.
Mesmo a liberdade econômica temporária, proporcionada pela Nova Política Econômica (NEP), não abalou as estruturas centralizadoras do Estado Soviético. O período de centralização do controle econômico, político e social da Guerra Civil moldou a forma de organização da URSS, principalmente a partir de 1928, quando as terras foram estatizadas e foi inaugurado o primeiro Plano Quinquenal. Os burocratas do partido e os administradores das empresas puderam com esse plano iniciar o planejamento da economia soviética, impulsionando a industrialização da URSS.

domingo, 26 de abril de 2015

ANTIGA ATENAS E A DEMOCRACIA #história


A DEMOCRACIA
#história 

 Com a deposição de Hípias, último tirano de Atenas, ressurgiram as lutas políticas, por um breve período. Em 508 a.C., com forte apoio popular, Clístenes assumiu o governo, estabelecendo a democracia. Clístenes dividiu a população de Atenas em 160 demói (circunscrições administrativas), espalhadas por 30 tritias e 10 tribos (circunscrições eleitorais). Cada tribo continha três tritias: uma do litoral, uma da área urbana e outra da área rural. Assim, cada tribo era composta por grandes e pequenos proprietários, mercadores, artesãos e marinheiros, acabando por completo com o predomínio das grandes famílias gentílicas. 
A reforma de Clístenes instituiu também a votação secreta para o Conselho ou Bulé. Essa teve o número de conselheiros aumentado para 500 (50 por tribo), com funções de controlar as magistraturas e preparar os projetos de lei a serem submetidos à Assembléia Popular ou Eclésia, que se transformou no órgão mais importante de Atenas. 


No decorrer do século V a.C., a democracia ateniense foi sendo aperfeiçoado, através de diversas medidas que ampliaram cada vez mais os direitos dos cidadãos livres, maiores de 18 anos, filhos de pai ateniense. Camponeses e artesãos transformaram - se, assim, em cidadãos plenos, independentemente de suas posses. Entre as inovações, houve a criação dos estrategos, magistrados militares encarregados dos assuntos militares, à razão de um por tribo, e a instituição do “ostracismo” – expulsão, com cassação dos direitos políticos por dez anos, do cidadão denunciado como prejudicial à pólis, pela Assembléia Popular. Entretanto, a democracia pressupunha a existência do escravo – mercadoria, em número cada vez maior, sendo Atenas a cidade onde a escravidão mais se expandiu. Do ponto de vista do grego, a cidadania não podia existir sem a sujeição de outros. O trabalho escravo propiciava ao cidadão o tempo livre para os serviços da pólis e para a vida intelectual, favorecendo o florescimento da civilização.


 Enquanto os trabalhadores livres eram mais numerosos nas atividades de subsistência, na pequena produção mercantil e no comércio varejista, os escravos predominavam na produção em larga escala, no campo e na cidade, nas minas e nos serviços domésticos. Assim, coexistiam o trabalho livre e o trabalho escravo. Havia também escravos alugados exercendo funções de porteiros, pedagogos, cozinheiros, amas, sendo que seus donos recebiam-lhes o salário; escravos que trabalhavam pagando a seus senhores quotas fixas ou parte dos ganhos; escravos do Estado, utilizados na pavimentação de ruas, na fabricação de moedas, como guardas, etc. Por serem de origem muito diversificada, as revoltas de escravos foram muito raras. A alforria (liberdade) podia ser alcançada e o liberto era considerado da mesma categoria social que os metecos (estrangeiros residentes em Atenas). Liberdade e escravidão estiveram estreitamente ligadas no mundo helênico.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O que foi o genocídio armênio ? #história #charqueadas

#história   #charqueadas 


O que foi o genocídio armênio?
No dia 24 de abril de 1915, as autoridades do Império Otomano (atual Turquia) prenderam e mataram cerca de 200 intelectuais armênios em Constantinopla (atual Istambul). Segundo a Armênia, o ato foi o início de um programa sistemático das autoridades otomanas para exterminar toda a população armênia.
Nos dias que se seguiram, o governo otomano desapropriou cidadãos armênios em toda a Anatólia e iniciou um programa de deportação em massa. Os armênios foram forçados a deixar suas terras e seguir em uma marcha insana no meio do deserto da Síria, onde homens foram mortos por militares ou por tribos locais, mulheres foram alvo de estupro e crianças foram raptadas. Os que conseguiam chegar ao destino final simplesmente não tinham como sobreviver no meio do deserto - muitos morreram de fome ou de doenças.
No início de 1915, mais de 2 milhões de armênios viviam no território do Império Otomano. Cinco anos depois, eles eram menos de 400 mil.


Por que aconteceu?
O massacre dos armênios ocorreu em meio à Primeira Guerra Mundial. Na época, o Império Otomano controlava não só a Turquia, mas também parte da Síria, da Arábia, dos Balcãs e do território onde hoje é a Armênia. Em 1914, os turcos entraram na guerra ao lado da Alemanha. O objetivo era recuperar o território que estava ocupado pela Rússia.
A campanha dos otomanos foi um desastre, e os russos venceram uma série de batalhas. Alguns grupos de nacionalistas armênios apoiaram os russos na guerra, vendo a possibilidade de uma derrota otomana resultar na criação da República da Armênia. O resultado é que os otomanos passaram a culpar os armênios pelas derrotas, acusando-os de cooperar com a Rússia e de trair o império.

Mas foi mesmo genocídio?

O termo "genocídio" só foi cunhado algumas décadas depois – em 1944, pelo jurista Raphael Lemkin, para descrever o assassinato em massa de judeus na Alemanha nazista. O termo é geralmente interpretado como uma forma de designar uma tentativa organizada e sistemática para destruir um povo, um grupo ou uma etnia por parte de um governo. Reportagens e documentos diplomáticos da época indicam que houve, sim, um plano autorizado e organizado pelo governo otomano para acabar com o povo armênio, o que, portanto, caracteriza o massacre como genocídio.
A Turquia, no entanto, coloca grande esforço diplomático para negar isso. Para os turcos, não houve genocídio, e as mortes foram resultado da situação caótica que o país vivia durante a Primeira Guerra Mundial. A Turquia, como conhecemos hoje, foi formada após o colapso do Império Otomano. Vários dos oficiais otomanos que executaram o genocídio criaram, anos depois, as fundações da Turquia moderna. Eles são considerados heróis nacionais pela reconstrução do país. O resultado é que negar o genocídio virou uma política de Estado. Isso atinge tal nível de repressão que um dos maiores escritores da Turquia, o prêmio Nobel Orhan Pamuk, foi processado e condenado pela Justiça a pagar uma multa por dizer que houve genocídio.

sábado, 18 de abril de 2015

Abolição Da Escravatura No Brasil - #história



#história


História Da Abolição Da Escravatura No Brasil, Os Abolicionistas, Resumo, Lei Áurea Decretada Pela Princesa Isabel Em 1888, A Questão Da Escravidão No Brasil Império. 

Contexto Histórico da abolição da escravatura

 No início da colonização do Brasil (século XVI), não havia no Brasil trabalhadores para a realização de trabalhos manuais pesados. Os portugueses colonizadores tentaram usar o trabalho indígena nas lavouras. A escravidão indígena não pôde ser levada adiante, pois os religiosos católicos se posicionaram em defesa dos índios condenando sua escravidão. Logo, os colonizadores buscaram uma outra alternativa. Eles buscaram negros na África para submetê-los à força ao trabalho escravo em sua colônia. Foi neste contexto que começou a entrada dos escravos africanos no Brasil.
Como era a escravidão no Brasil
 Os negros africanos, trazidos da África, eram transportados nos porões dos navios negreiros. Em função das péssimas condições deste meio de transporte desumano, muitos morreram durante a viagem. Após desembarcaram no Brasil eram comprados como mercadorias por fazendeiros e senhores de engenho, que os tratavam de forma cruel e, muitas vezes, violenta. 
 Embora muitos considerassem normal e aceitável, a escravidão naquela época, havia aqueles que eram contra este tipo de prática, porém eram a minoria e não tinham influência política para mudar a situação. Contudo, a escravidão permaneceu por quase 300 anos. O principal fator que manteve o sistema escravista por tantos anos foi o econômico. A economia do Brasil contava quase que exclusivamente com o trabalho escravo para realizar os trabalhos nas fazendas e nas minas. As providências para a libertação dos escravos, de acordo com alguns políticos da época, deveriam ser tomadas lentamente.



 O início do processo de libertação dos escravos e fim da escravidão 
 Na segunda metade do século XIX surgiu o movimento abolicionista, que defendia a abolição da escravidão no Brasil. Joaquim Nabuco foi um dos principais abolicionistas deste período.
 A região Sul do Brasil passou a empregar trabalhadores assalariados brasileiros e imigrantes estrangeiros, a partir de 1870.  Na região Norte, as usinas produtoras de açúcar substituíram os primitivos engenhos, fato que possibilitou o uso de um número menor de escravos. Já nos principais centros urbanos, era grande a necessidade do surgimento de indústrias. Visando não causar prejuízo financeiros aos proprietários rurais, o governo brasileiro, pressionado pelo Reino Unido, foi alcançando seus objetivos lentamente. 

 
A primeira etapa do processo foi tomada em 1850, com a extinção do tráfico de escravos no Brasil. Vinte e um anos mais tarde, em de 28 de setembro de 1871, foi promulgada a Lei do Ventre-Livre. Esta lei tornava livres os filhos de escravos que nascessem a partir da decretação da lei. 
No ano de 1885, foi promulgada a lei Saraiva-Cotegipe (também conhecida como Lei dos Sexagenários) que beneficiava os negros com mais de 65 anos de idade.
 Foi somente em 13 de maio de 1888, através da Lei Áurea, que a liberdade total e definitiva finalmente foi alcançada pelos negros brasileiros. Esta lei, assinada pela Princesa Isabel (filha de D. Pedro II), abolia de vez a escravidão em nosso país.