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| Os charruas eram hábeis cavaleiros. |
No Rio Grande do Sul, Charrua/Minuano ocupavam áreas
de campos do sudoeste, até aproximadamente a altura dos rios Ibicuí e Camaquã,
mas também se estendiam para o pampa uruguaio e as pequenas porções do
território argentino.
Cada uma
delas, entretanto, ocupava áreas bem-definidas. Os Charrua “moravam mais para o
oeste, ocupando ambas as margens do Rio Uruguai e tiveram maior contato com o
colonizador espanhol”, enquanto que os Minuano “se localizavam mais para
leste, nas áreas irrigadas pelas lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira, com
extensão até as proximidades de Montevidéu; tiveram maior contato com os
portugueses” (BECKER, 1991, p. 145).
Os
Charrua/Minuano praticavam a caça, a pesca e a coleta. Alguns arqueólogos
cogitam a possibilidade da cultural matéria produzida pelos antepassados
destes indígenas pertencer à Tradição Arqueológica Vieira, construtora dos
“cerritos”. Pertenciam a um mesmo tronco linguístico, mas não está claro se
falavam a mesma língua ou dialetos diferentes.
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| Os minuanos. |
Nas
primeiras décadas do século XVI, as expedições sobre os territórios
Charrua/Minuano foram esporádicas. Entretanto, a partir de meados deste mesmo
século e primeiras décadas do século XVII, os interesses das Coroas Ibéricas
crescem na região e alianças com lideranças Charrua, como Zapicán, Miní,
Guaytán, e lideranças Minuanas, como Cloyan e Lumillan, passam a ser
efetivadas. Possivelmente pela lógica nativa, essas alianças possibilitaram
vantagens das parcialidades lideradas por estes caciques para lutarem contra
os grupos indígenas inimigos que também ocupavam o território.
No que se refere à utilização da aliança e à guerra
nas sociedades nativas, Pierre Clastres, no trabalho Investigaciones em
antropología política, enfatiza:
Ya hemos
indicado que, por la voluntad de independencia política y el dominio exclusivo
de su territorio manifestado por cada comunidad, la posibilidad de la guerra
está inmediatamente inscrito en el funcionamiento de estas sociedades: la
sociedad primitiva es el lugar del estado de guerra permanente. Vemos ahora
que la búsqueda de alianzas depende de la guerra efectiva, que hay una
prioridad sociológica de la guerra sobre la alianza. Aquí se anuda la
verdadera relación entre el intercambio y la guerra. (...) Precisamente a los
grupos implicados en las redes de alianza, los socios del intercambio son los
aliados, la esfera del intercambio recubre exactamente la de
la alianza. Esto no significa, claro está, que de no haber alianza no habría
intercambio: éste se encontraría circunscrito al espacio de la comunidad en el
seno de la cual no deja de operar nunca, sería estrictamente intra-comunitario.
(CLASTRES, 1987, p.207, grifos do autor)
Segundo
Reichel e Gutfreind (1996), na porção Oeste, começa a fundação das primeiras
cidades espanholas (1527- 1577); na parte Leste, as portuguesas (1680-1737), as
quais foram acompanhadas de grandes batalhas, em que uma boa parte dos
Charrua/Minuano foram atingidos. Isso, gradativamente, haveria de produzir uma
mudança fundamental em todo o território indígena, pois essas populações neste
primeiro momento não se submeteram à “encomienda”,2 à “mita”3 e às “reduções/missões”,4 sendo que esta última
fora utilizada principalmente com os indígenas Guarani.
Nos séculos XVII e XVIII, as frentes expansionistas
nos tradicionais territórios Charrua e Minuano continuavam de forma lenta e
cada vez mais efetiva. No final do século XVIII e nas primeiras décadas do
século XIX, os tradicionais territórios Charrua/Minuano da bacia hidrográfica
do Rio da Prata são efetivamente ocupados pelos colonizadores português e
espanhol.
As
cidades multiplicaram-se e a exploração econômica, produzindo carne e couro
para o mercado interno e europeu, aumentou significativamente.
Neste contexto, é possível apontar o protagonismo
Charrua/Minuano a partir das lógicas nativas, como é o exemplo da atuação de
lideranças Naigualvé, Gleubilbé e Doimalnaejé, lutando ao lado de Don
Francisco de Vera Mujica em territórios próximos a Santa Fé contra indígenas
inimigos (BECKER, 1991). Por outro lado, quando os interesses nativos não mais
estavam sendo atendidos, rompiam as alianças e recorriam à guerra, conforme
ilustra a situação envolvendo o cacique Campusano.
Este cacique Charrua entrerriano, pasado el primer Tércio del
siglo XVIII tênia sus tolderías em lãs márgenes del arroyo Feliciciano. Presume
A. y Lara que es el mismo Campusano que, a fines de abril de 1749, com um grupo
de índios hurtó caballadas de lãs estâncias del Pueblo Reducción de Santo Domingo
Soriano. Habiendo salido en su persecución el Teniente de Dragones Francisco
Bruno de Zavala con un escuadrón en un potrero del Queguay. (BARRIOS PINTOS,
1981, p.87-88)
Gradativamente,
as populações indígenas são empurradas para o interior, local onde suas
possibilidades de sobrevivência são cada vez mais difíceis, principalmente
pela disputa com grupos inimigos, como Araucanos, Tehuelches, entre outros,
que também estavam em movimentação pelo território, devido às frentes
expansionistas (SARASOLA, 1996). Em decorrência de não terem desenvolvido sua
sustentabilidade nos moldes do capitalismo, bem como insistiam em continuar com
seus padrões culturais um capítulo da história Charrua/ Minuano no século XIX,
resume-se pelos dois combates feitos à traição – o de Salsipuedes (1831) e o de
Mataojos (1832) – nos quais os indígenas destas duas etnias foram exterminados
em grande maioria ou retirados de seu tradicional território, como, por
exemplo, Vaimaca-Peru, Senaqué, Tacuabé e Guyunusa, que foram levados pelo
comerciante François de Curel para Paris, lugar de onde não mais retornaram
(HILBERT, 2009). A partir desses dois conflitos, equivocadamente propagou-se
um discurso que os poucos Charrua/Minuano sobreviventes teriam forçadamente se
integrado na sociedade da Banda Oriental do Uruguai.



Os Charrua “moravam mais para o oeste, ocupando ambas as margens do Rio Uruguai e tiveram maior contato com o colonizador espanhol”, enquanto que os Minuano “se localizavam mais para leste... RS Rio Grande do Sul Brasil http://historiatodas.blogspot.com.br/
ResponderExcluirRio Grande do Sul Charqueadas http://historiashistory.blogspot.com.br/ Nas primeiras décadas do século XVI, as expedições sobre os territórios Charrua/Minuano foram esporádicas.
ResponderExcluirCharruas e minuanos RS Rio Grande do Sul Charqueadas Brasil Gradativamente, as populações indígenas são empurradas para o interior, local onde suas possibilidades de sobrevivência são cada vez mais difíceis http://historiashistory.blogspot.com.br/
ResponderExcluirOs Charrua/Minuano praticavam a caça, a pesca e a coleta. Alguns arqueólogos cogitam a possibilidade da cultural matéria produzida pelos antepassados destes indígenas pertencer à Tradição Arqueológica Vieira, construtora dos “cerritos”. http://goofaceyou2.blogspot.com.br/
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