#história
Antes mesmo de chegarem a América, portugueses e espanhóis
definiram sua divisão, estabelecendo o limite territorial de cada país no Novo
Continente através do Tratado de Tordesilhas (mapa 1), em 1494. O território
que atualmente constitui o Rio Grande do Sul historicamente pertenceu aos
espanhóis, uma vez que essa partilha estabelecia que: as terras conquistadas
que se localizavam ao leste de Tordesilhas pertenceriam a Portugal e as que
estavam a oeste pertenceriam à Espanha, ou seja, “pelo Tratado de Tordesilhas,
os domínios portugueses na América do Sul iam até Laguna (no atual Estado de
Santa Catarina) e daí para o sul o território seria espanhol” (LESSA; CÔRTES,
1975, p. 31).
Na prática o Tratado de Tordesilhas nunca foi respeitado,
pois no período colonial, o Rio Grande do Sul foi uma zona de litígio entre as
coroas portuguesa e espanhola. Após a colonização inicial do Estado e violentas
lutas pela posse do território, ele passa ao domínio português e o Tratado de
Tordesilhas deixa de vigorar. Segundo Viera (1985, p. 31), “a ocupação do
espaço rio-grandense teve dois momentos importantes (...). Inicialmente, deu-se
a penetração dos preadores de índios e dos jesuítas, ambas contemporâneas, adquirindo
grande dimensionamento. Bem mais tarde, 150 anos após, a efetiva posse da terra
e as primeiras medidas de organização espacial se seguiram a fundação do núcleo
do Rio Grande em 1737”. Neste período, ainda não existiam fronteiras políticas
no Estado.
Os primeiros jesuítas que chegaram eram portugueses, vindos do
litoral Norte, mas não estabeleceram núcleos de povoamentos estáveis e buscaram
apenas a doutrinação de tribos litorâneas. Já os tropeiros e os jesuítas
espanhóis desempenharam um papel mais significativo na constituição do espaço
gaúcho. Os primeiros criaram entrepostos e/ou pousadas o que originaram muitas
cidades e os segundos criaram as reduções que iniciaram o povoamento do Estado
instituindo núcleos estáveis. Por isso, esses foram os responsáveis pelo
povoamento inicial do RS. As fronteiras, neste período, permaneciam indefinidas
e as lutas pela posse do território eram constantes, pois havia grande
interesse na região pela proximidade com a Bacia Platina, ponto estratégico
para o acesso ao continente e para o transporte de riquezas. Contudo, “as lutas
espanholas pelas terras rio-grandenses eram tão perdidas como as lutas
portuguesas para sustentar a Colônia do Sacramento. Os tratados de Madrid e de
Santo Idelfonso e os ajustes que se seguiram apenas confirmaram as tendências
ditadas pelo processo de povoamento do Rio Grande do Sul e do Uruguai” (VIERA,
1985, p. 33), isto é, o domínio português sobre o território gaúcho e o
surgimento de um ponto de equilíbrio entre Brasil e Argentina, os Campos
Neutrais (atual Uruguai). Assim, os vários tratados (mapa 2) entre portugueses
e espanhóis, como o Tratado de Madrid (1750) e Tratado de Santo Ildefonso
(1777), pretendiam fixar as fronteiras e a posse dos territórios do Uruguai e
do Rio Grande do Sul, ocasionando inúmeras guerras no território do Rio Grande
do Sul durante o século XIX. Então, se seguiram várias configurações para o
território. Em momentos alternados ele se reduzia ou se ampliava
significativamente.
Neste contexto, o Rio Grande do Sul apenas configura suas
fronteiras atuais após a independência do Uruguai (entre 1810 e 1828), pois o
Brasil e a Argentina (Províncias Unidas do Prata) tentaram muitas vezes
apoderar-se do novo país. A resistência se deu pela atuação dos Caudilhos.
Esses “Caudilhos das várias Províncias do Prata, do Uruguai e do Rio Grande do
Sul possuíam suas alianças particulares (militares ou não) que eram
estabelecidas e desfeitas ao sabor das necessidades econômicas e de suas lutas
pelo poder” (TARGA, 1991, p. 313). Assim, os limites do Estado se constituíram
ao longo do século XIX, promovendo experiências sociais, políticas e econômicas
distintas; “o Rio Grande do Sul foi à parte do território brasileiro mais
afetado pelos problemas criados pela fronteira, pela vizinhança de projetos
políticos e sociais que eram opostos à sua constituição e pelas guerras
engendradas pelo processo de formação desses Estados. Por fim, até o final da
guerra dos Farrapos (em 1845), não era clara a opção da classe dominante do Rio
Grande do Sul pela integração ao Brasil” (TARGA, 1991, p. 316). Vieira (1985)
destaca que as fronteiras gaúchas são incontestáveis e definem-se por si só,
pois são delimitadas pelo Rio Uruguai e pelo Oceano Atlântico. Assim, após os
inúmeros conflitos pela posse da terra sua delimitação cartográfica e a
definição de seus limites se tornaram mais simples e eliminou aquela incerteza
até então observada.



Na internet pouco se encontra sobre a história do Rio Grande do Sul. Parabéns ao blog Todas as Histórias. http://historiatodas.blogspot.com.br/
ResponderExcluirOs primeiros jesuítas que chegaram eram portugueses, vindos do litoral Norte, mas não estabeleceram núcleos de povoamentos estáveis e buscaram apenas a doutrinação de tribos litorâneas. Rio Grande do Sul Charqueadas http://historiashistory.blogspot.com.br/
ResponderExcluirOs primeiros jesuítas que chegaram eram portugueses, vindos do litoral Norte, mas não estabeleceram núcleos de povoamentos estáveis e buscaram apenas a doutrinação de tribos litorâneas. http://goofaceyou2.blogspot.com.br/
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